24 de mai de 2010

Carlos Hardy. Eis-me aqui!

Meu nome é Carlos Hardy, sou compositor e instrumentista, atuo como baixista e cantor nos grupos Miss Cauim e os Beiramalizados, 4deCada e como violonista e cantor no grupo Encontros Casuais.

Minha história com a música autoral começou com as primeiras bandas de rock das quais participei. Do heavy metal ao pop rock, do rock progressivo a música de concerto, chegando depois a gêneros musicais brasileiros, meu processo criativo passou por algumas vertentes bem diversas, reflexo dos caminhos musicais que percorri, do que aprendi tocando em algumas bandas, na experiência que tive na
camerata de cordas do SESI, no curso de licenciatura em música da UECE, na escola de choro da funcet, com os corais da UECE e da UFC, compondo e tocando para grupos de dança como foi o caso da Cia. do Barulho e posteriormente da Cia. Vatá, e assim segue algumas boas histórias pra contar de encontros musicais e afetivos.

A minha relação com a música comercial e de massa a princípio era de repulsão completa, e com o tempo passei a me interessar mais pelos porquês do que propriamente pela atitude feroz e cheia de mágoas com esse tipo de música, pois ela ocupava e continua ocupando um lugar que poderia ser mais democrático e mostrar também o lado mais intimamente brasileiro da nossa música, dos movimentos populares que não estão na grande mídia, dos maracatus, afoxés, da música dos reisados e bumbas meu boi, dos sambas de tradição e dos chorões que enchem de alegria os bares e proporcionam encontros não só das gerações anteriores, mas também de amigos, estudantes e jovens artistas que não se contentam somente com a jaula dos sentidos que tem sido a cultura de massa, como também da música de concerto que é feita em nossa cidade, da música instrumental, da música eletrônica, da música experimental e assim segue um mundo riquíssimo e sem fim de caminhos estéticos dentro da nossa música.

Em alguns desses espaços de encontros despontam alguns jovens compositores e intérpretes que querem fazer sua própria música, não necessariamente moldada ao que está “bombando” no mercado. Temos a ACR (associação cearense do rock) liderada por Amaudson Ximenes, que promove e incentiva nossas bandas de rock e também promove uma série de trabalhos sociais. Muito se conquistou no que diz respeito a espaços para jovens músicos cearenses mostrarem seus trabalhos.

E quanto à música autoral? Como ela tem se inserido nesses meios? Que valor tem sido dado a ela? Que valor o público que freqüenta os espaços culturais fortalezenses tem dado à música que é feita pelos músicos daqui?
Será que essa música não tem a mesma qualidade da que vem do sul do país, dos artistas brasileiros já consagrados pelo grande público e pela mídia? Façamos essas perguntas a nós mesmos e procuremos entender o que é que está errado neste quebra cabeças.

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